
Ainda abatida por mais uma derrota, a China Azul chateada, revoltada e tentando não se acostumar ao recente roteiro de fracassos, busca explicações. No entanto, este post não buscará uma análise genérica dos porquês de tantos resultados ruins. Mas atentará para um dos fatores que contribuiu significativamente a carência de bons jogadores no elenco, um assunto que virou chavão na voz da torcida, a base.
O tema toma conta das redes sociais, dos comentários na blogosfera celeste, no coro das arquibancadas quando é pedida chance a algum rapaz made in Toca I. Mas indiferente a isto, a diretoria juntamente com o corpo técnico assume postura covarde, e um discurso temerário quanto ao uso da base no profissional e por vezes até perde apostas da casa em negociações obscuras e contraditórias. E de capítulo em capítulo deste drama, o clube vai perdendo mais uma de suas tradições, a de revelador de craques para o futebol mundial.
Nomes de craques formados na Toca? São tantos que poderíamos ganhar listas e mais listas em pouco tempo. Quem não se lembra do Ricardinho, que abriu alas para a era dos volantes rápidos, técnicos e bons finalizadores e ainda veio a ser o atleta mais vitorioso com a camisa estrelada? Quem não se lembra do mágico Dirceu Lopes? Tostão que por vezes é apontado como revelação do América é outro, jogou no coelhinho apenas um ano, e começou a dar seus passos no futsal da Raposa, chegando ao campo também em terras heróicas e imortais.
No entanto, há alguns anos a diretoria do Cruzeiro, tanto a "velha" quanto a "nova", tem esquecido desta tradição, pouco investindo em jovens atletas, delegando ao trabalho do ídolo Rául menor importância que se deveria, a diretoria de futebol por sua vez temendo novas contratações furadas, abandonou a busca por jovens talentos e aposta exclusivamente em atletas com pouco tempo de carreira (o que resulta na alta média de idade do time celeste), as peneiras da Toca I parecem furadas, as poucas esperanças de revelações saem sem estrear no profissional, ou quando chegam por lá são esquecidos pelo treinador. E com o decorrer do tempo vamos acumulando velhos com pouca identificação com o clube, vamos perdendo em qualidade, adquirindo posições no campo cada vez mais carentes, e nos distanciando das equipes campeãs que já tivemos, equipes repletas de jogadores formados na Toca.
O próximo texto irá abordar acerca desta problemática, relatando alguns fatos que demonstram a postura medíocre da diretoria com a principal forma de reforçar o time, citará atletas que sairam pela porta dos fundos, processos que aceleraram a desfragmentação da Toca I, e apresentará pratas da casa no profissional que aguardam respaldo.

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