Seria
impossível assistir à despedida do Sorín sem derramar lágrimas.
Três momentos choráveis: o Sorín comemorando o gol celeste enquanto
jogava pelo Argentino Juniors, quando o mesmo voltou para o Cruzeiro no
meio do segundo tempo e suas declarações com olhos marejados ao fim da
partida. O amor que tenho por aquele cara é inexplicável, a saída dele
do futebol é como perder o filho ou sei lá, inverbalizável.
Um belíssimo jogo de muita superação! Pablito mostrou que não está na
hora de aposentar, que ainda tem muito fôlego e raça, me fez imaginar o
que seria do Cruzeiro contando com o Sorín naquela noite contra o
Estudiantes...
Um desespero me sacode: não sai homem, deixa eu te imortalizar!
É como se a ordem fosse “pega a bola e toca pro Sorín” e a onipresença
dele no campo foi gratificante, incorporou o espírito de final – final
da carreira, talvez – e não de amistoso. Correu atrás da bola, sorriu
pra torcida, mostrou-se disposto a jogar de verdade, uma fome enorme de
gol e mais de 55 mil corações aflitos esperando pelo gol do maior ídolo
da nossa história recente. Pra mim, que não vi Joãozinho bater falta que
não era dele, nem Piazza pedir para aplicarem a “porra” da injeção pra
que ele voltasse à campo Sorín é sim o maior ídolo.
Nunca sairá da minha cabeça a imagem do jogador voltando a campo com a
cabeça enfaixada pra marcar o gol da vitória cruzeirense na final da
Sul-minas. E agora esperávamos que o jogador repetisse a dose na sua
segunda despedida: faz gol!
O Cruzeiro ganhava por 2 a 0 e nenhum gol do ídolo estrelado. Do outro
lado do gramado esperava ansioso o goleiro do AJR com sua câmera
fotográfica pra frangar um gol do também ídolo deles.
O gol do Sorín era tão esperado que o goleiro do lado de lá apontou pro
Bernardo tocar pro Sorín fazer um gol, mas o nosso ex-futuro-ídolo não
viu e ficou pedindo desculpas depois. Seria o gol forjado mais
emocionante da minha vida... Todas as almas cruzeirenses que desceram do
repouso pra assistir àquela partida, todos os 55.000 presentes no
Mineirão, os infinitos telespectadores, ouvintes de rádio... toda a
China Azul esperava pelo gol do Sorín, torcíamos POR ELE.
*Texto originalmente postado em Gol de Letras. Revisado e readaptado.
abraços china azul
att: Philipe Freitas
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